Tudo começou no início de janeiro de 2002... Com a ajuda de alguns amigos utilizei rolimãs, bengalas de motocicleta 125 (não da minha ML!), tábuas e aproximadamente uns 130 parafusos com porcas e arruelas para fixação para várias peças que compõem a invenção. Pensei em um meio de locomoção que não afetasse a natureza, que não poluísse. Então como gosto de andar de bicicleta, usei uma, ou melhor, duas. Comecei o projeto tendo a idéia de desenvolver um veículo não poluente, destinado a unir paralelamente duas bicicletas na linha do trem permitindo assim se locomover normalmente na ferrovia. E assim foi feito: mede aqui, solda ali, marca aqui, quebra a solda aqui (porque medi errado!), solda de novo, e... pronto! Ficou pronta! Agora é só encaixar as bicicletas, levar para a linha do trem e andar. NEGATIVO! Aí que entra a beleza da física... Conheci melhor a Sra. Dilatação e vi que, como a dormentação aqui está meio pior do toco de árvore cortado na época que a roda era quadrada, vi que em certos trechos a linha se abria ou fechava mais que o normal. Então, de volta para os reparos devido ao não reparo da linha do trem... Aí sim! Achei um meio termo que até agora nem sei a medida que está, mas que em quase 100% da linha, andamos normal. Raramente acontece do pneu traseiro escorregar da linha. Não considero isso uma falha, aliás, é falha mas da linha do trem. Explico: graças a dilatação já dita, a bitola (distância de um trilho e do outro) pode abrir muito. Então, fui obrigado a deixar um "jogo" grande na frente e atrás para poder não "travar" a invenção em lugares que os trilhos "fecham". Devido a essa "adaptação" aos trechos que saem um pouco da bitola, aí o pneu escorrega junto ao líquido resultante do mato quando amassado pelas rodas de ferro. As rodas de ferro nunca caíram dos trilhos. O que raramente cai devido a um problema na distância dos trilhos, é o pneu por ser de borracha e o líquido dos matos, como dito acima. Mas tudo é festa: quando isso acontece, normal... Colocamos a invenção alguns metros mais para frente (onde o espaçamento dos trilhos volta ao normal), o pneu sobre o trilho e seguimos viagem.

 

Eu tenho em mente até um projeto que corrige isso, mas não compensa! Pois são raros esses acontecimentos, de cada 10 viagens 1 ou 2 acontecem isso e depende muito do tempo: frio não dilata, então, a distância (bitola) dos trilhos não são alteradas. E outra, quando isso acontece nenhuma das 6 rodas de ferro da invenção sai do trilho, só um pneu de um das bicicletas não comprometendo nossa segurança...

 

Praticamente quase todas as bicicletas são adaptáveis a minha invenção, exceto as Bicicletas do tipo "Barraforte" (devido ao seu quadro) e "Cross" (devido ao seu tamanho). Ela permite ser levada até a ferrovia desmontada na garupa da bicicleta. A minha bicicleta (nas fotos a de cor azul) serviu como base para as primeiras medições destinadas a construção da BICILINHA (PAT - 0200920 - 0). Por isso tenho um cuidado e um carinho especial por ela, pois graças a ela consegui vários resultados e medidas.

 

Todo o conjunto é possível levar para qualquer lugar na garupa. O peso fica aproximadamente, 100 Kg. O invento leva entre 10 a 15 minutos para ser montado, dependendo da quantidade de pessoas que ajudam na montagem. Depois de montado é só colocar todo o conjunto na linha do trem (com bitola de 1,60m), subir nas bicicletas (que são duas: uma em cada trilho, como dito) e pedalar... Desenvolvi no mês de agosto de 2008 duas rodas não-rolamentadas para levar a invenção até a linha do trem já montada desde minha casa. Assim pelo menos podíamos montar a invenção na área de casa, na sompbra. Chegando na linha, só retirar as rodas (que é bem fácil), e começar a andar... Ah! Uma sensação diferente: bicicletas andando na linha do trem?! É uma sensação estranha e difícil do nosso cérebro compreender: como andar de bicicleta em cima de um trilho ferroviário sem se equilibrar e não cai?! O mais legal, é que mesmo com seus aproximados 100Kg, é leve andando em 2 ou mais. Isso se dá porque o atrito das rodas reduz muito o esforço no pedal e mesmo com muita gente em cima não fica tão pesado como se estivesse andando no asfalto, por exemplo. O melhor de tudo o terreno da ferrovia é quase plano. Há trechos que possuem leves subidas, planos ou descidas, mas são tão suaves e quase imperceptíveis que muitas vezes nem é possível saber se um certo trecho é subida, plano ou descida. 

 

Nos primeiros testes, eu e mais dois amigos (um daqui de Lucélia e outro, Gilberto de Parapuã, os mesmos que estão em "Aventuras" no menu ao lado), logo quando a BICILINHA (PAT – 0200920 – 0) ficou pronta, realizamos vários testes: desde a saídas suaves até uma simulação de um "aparecimento surpresa" de algum trem, locomotiva, Maria fumaça (eita!), V8 (eita 2!) O teste foi feito assim: um de nós ficava sentado na prancha e dois pedalando. Depois de um tempo passado, a pessoa sentada na prancha falava: "Ó o trem!" Aí parávamos e retirávamos a invenção da linha. O tempo gasto para a total parada e a retirada do invento dos trilhos, é de 05 a 08 segundos em três pessoas.

 

Sempre que ia me aventurar com minha invenção para outra cidade, ligava em Bauru, para me informar se fosse passar alguma composição férrea: seja um trem ou somente um lastro ou uma escoteira (uma locomotiva) aqui para os lados de Lucélia. Hoje em dia, nem ligo mais pois a linha está praticamente abandonada com os dormentes podres e, em certos trechos e o mato cobrindo a linha... que dó! FEPASA, cadê você?! Bom, pelo menos aqui dentro da minha cidade, está limpo para eu poder dar umas voltas... O motivo da simulação surpresa, como disse, é se ocorresse alguma falha de informação, ou se eles não soubessem se fosse ou não passar alguma composição enquanto estávamos andando para mostrar a algum curioso "férreo-fanático-alucinado" por trens. Mas isso nunca aconteceu na prática! Ufa! Comunicação é tudo quem sabe logo instamos um GPS... eheheheh.

 

A invenção permite levar até 8 pessoas(mas com duas bicicletas com garupa, esse número sobe para 10 pessoas). A maioria não muito confortável: 6 sentados (2 bicicletas, 2 na ponta das tábuas e se tiver garupa nas bicicletas, 2 em cada garupa) e 4 pessoas em pé no meio das tábuas. Ninguém precisa se equilibrar, pois como a invenção anda macia e estável, não acontece de "dar tranco" tanto nas freadas quanto nas saídas. Com todo esse povo o peso fica excessivo não sendo possível correr muito. Mas pra que correr?! O mais legal é deliciar-se em andar na linha e observando as paisagens. Mas mesmo com muito peso é possível locomover-se sem se esforçar a ponto de "entregar os pontos". Projetei a invenção para carregar 4 pessoas sentadas, mas se colocar mais pessoas os rolimãs de aço agüentam fortemente. Mas para sair da cidade o melhor é em 2 pessoas. Pois em curto trajeto, andando em 4 é legal e não cansa tanto pois sempre paramos para virar a invenção. Agora saindo da cidade, a parada é depois de 10 km! Então, indo em 2 apenas evita-se de ficar parando sempre para descansar´.

 

O primeiro teste-móvel foi realizado transportando 7 pessoas em baixa velocidade. A velocidade depende muito das pernas dos "tracionadores" e nesse dia, não tinham pessoas tão panssudas, por isso foi mais aliviado. Fizemos o primeiro teste num trecho de Lucélia até Inúbia Paulista que são cerca de 9 Km. Das 8 rolimãs uma das rodas guias chegou a trincar. O motivo era que, no início, logo quando pensei em construir a invenção achei que era só medir a distância entre os trilhos, colocar os rolimãs e andar. Fiz essa idéia e me enganei! Quando fui medir mais cautelosamente percebi que nenhuma das medidas entre a roda apoio e roda guia estavam iguais pois isso, quando fomos a Inúbia Paulista pela primeira vez, somente uma rolimã estava guiando todo o carrinho. Ela sofreu um superaquecimento e trincou. Mas não é certo que foi esse o motivo: pois como era rolimã usada ela já poderia estar com um certo desgaste ou até estando com esse trincado.

 

Mais tarde, com sede de consertar logo, quebrei todas as soldas das rodas guias e re-alinhei. Agora sim! As medidas estão todas iguais. Mais teste e nada de superaquecimento. O todas se aquecerem pouco principalmente os rolamentos da frente da invenção. A velocidade em 4 pessoa é até razoável. Mas em 2 pessoas vai muito rápido, sendo possível andar bastante com uma ótima velocidade, como já dito.

 

O freio total do conjunto são somente os freios das rodas traseiras (roda tração) das bicicletas. Quanto a precisão da frenagem, é proporcional: se tem muito peso, não é possível correr, então, o freio segura pouco devido ao peso. Mesmo com muito peso a invenção pára num bom tempo. Mas se são somente 2 pessoas a invenção corre bem mais, e devido ao peso ser reduzido, os freios se desempenham mais, afinal, o freio será útil para frear 2 pessoas, também parando num ótimo tempo, sendo possível a retirada quase imediata da invenção da linha. Na verdade, é possível travar os freios nos dois casos: seja com 2, 4 ou mais pessoas. Acontece que devido ao excesso de peso, o pneu trava e se arrasta no trilho (derrapando). Assim, o freio não segura muito, ou melhor, ele segura (trava) mas o excesso de peso o faz continuar andando mesmo "travado" (derrapando) até sua parada total. Quando em 2, o freio pode até derrapar, mas do fato de estar mais leve, a invenção pára mais rápido, pois não tem muito peso. E levando pela física, quando trava-se um pneu ele não segura tanto quanto se não estivesse travado. Taí o freio ABS, mas isso é outro assunto...

 

Mas com todo esse divertimento na linha férrea, e quanto a polícia?! Se você não tinha se perguntado isso, tenho certeza que mais tarde poderia se perguntar. Bom, para início de conversa não estou destruindo nada, fazendo avarias, matando ninguém e muito menos “zuando” na ferrovia ou com os trilhos. Muito pelo contrário: estou mostrando que é possível através de uma simples invenção trafegar no que sobrou da malha Paulista e sem poluir o ar. Então não há motivos para me indiciar. E quem tem que impor regras ou permissões na ferrovia não é a polícia local e sim a ferrovia afinal ali não é rua e a Bicilinha não é um veículo rodoviário e sim ferroviário então cabe a ferrovia alertar algo. Em outras palavras compete a ferrovia cuidar, permitir ou proibir algo e de mais ninguém.

 

Logo que finalizei o invenção liguei somente uma vez só para a polícia local avisando-os que se eles recebessem alguma ligação de algum "estraga-prazer desinformado" falando que estávamos "zuando" na ferrovia que eles fossem lá confirmar a denúncia e que estávamos andando com a invenção. Sendo assim os policiais já estariam sabendo que não era um ato de vandalismo e sim um inocente entretenimento. Bom, vandalismo também não, muito pelo contrário! Afinal, estávamos corretamente "andando na linha" eheheheh. Só liguei neste dia uma vez, depois nunca mais. Praticamente todos daqui de Lucélia já conhecem a BICILINHA (PAT – 0200920 – 0) e sabem de seu funcionamento na ferrovia devido de já ter sido publicado uma matéria no Jornal daqui umas 3 vezes, em vários outros jornais e até na TV regional (SPTV).

 

A popularidade da invenção começou a se dar depois de ser publicada duas vezes no Jornal daqui. Em Adamantina, cidade a 8 Km de Lucélia, saíram em 3 jornais; em Osvaldo Cruz (cerca de 20 Km), saiu 1 vez. Rinópolis (cerca de 38 Km), saiu 1 vez. Em Rinópolis não há ferrovia, porque fica fora de rota. O fato da matéria ter saído lá é porque o jornal de Rinópolis, é da mesma administração do de Adamantina.

 

No total hoje, calculo que já andei bem mais de 1000 Km com o invento! E olha que não estou contando quando eu montava aqui dentro de Lucélia para alguns curiosos e fanáticos por trens comprovarem a invenção que anda na linha. 

 

Passamos por diversas aventuras desde o nascimento da invenção. Todas as aventuras até os dias de hoje, está no menu ao lado, em "Aventuras". Confira!!!

 

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