Reuni aqui as aventuras de nossas primeiras viagens para outras cidades. Desde que inventei a Bicilinha vivemos várias aventuras. No total hoje, calculo que já rodei mais de 1000 Km! De tanto montar e desmontar, andar aqui para alguns curiosos e, as vezes, amadores de trens darem uma olhada, mas na verdade andaram também, afinal como: "De louco todo mundo tem um pouco", também: "De trem, todo mundo tem um pouco" e o pior é que muitos não sabem...

 

Aqui em minha querida cidade, Lucélia, há um pontilhão extenso e alto. Bom não tão extenso e alto, mas pela média da região, dá medo... É demais passar nele pois a ferrovia fica bem no alto, e não tem corredor later. Já viajamos com a invenção para: Inúbia Paulista, Osvaldo Cruz, Adamantina e Flórida Paulista. Começarei na ordem de viagem.

 

Inúbia Paulista

 

Nossa aventura em Inúbia Paulista foi a primeira "viagem-teste" que fizemos longe, saindo da cidade. Inúbia Paulista fica cerca de 9 km de Lucélia, e essa viagem foi importante pois vi as modificações que teriam que ser realizadas para ter melhor desempenho. A viagem foi muito legal pois como disse nunca tínhamos ido a um lugar tão distante e com um veículo inédito. Fomos em 3, eu e mais dois amigos um daqui de Lucélia outro chamado Gilberto, de Parapuã (outro viciado em trens). O amigo daqui de Lucélia já trabalho na Fepasa, por isso ficou curioso em ver como era esse "negócio" que andava na linha do trem com bicicletas. Gilberto gosta de trens desde pequeno também, é um ferreo-viciado que nem eu... Eu não imaginava que existia outras pessoas como eu, que gostava de trens, mas existe! E muitas ainda...

 

Bom, vamos a viagem...

 

Saímos daqui rumo à Inúbia Paulista, cidade vizinha sentido São Paulo. Decorridos 1 Km antes de chegar lá, foi tudo bem... Bom, tivemos que limpar várias passagens de nível devido a terra... Mas chegando lá, mato era tão grande que engolia todo o trilho. Era um tipo de mato que parecia uma "cerca viva", uma coisa doida! Parecia um tipo de "cipó" bem fino, sei lá, só sei que era mato que segurava demais! As rodinhas da invenção enroscava nesses matos e as bicicletas patinavam porque, graças ao "massetamento" do mato, ele soltava um líquido que, no mínimo, devia ser vingança... Esse líquido ficava no trilho e quando passávamos com o pneu traseiro, patinávamos muito. Pedalávamos, pedalávamos e não saíamos do lugar... Eu nunca imaginava que a invenção passaria por isso, pois achei que a combinação borracha/trilho não patinava. Bom, patinar não patina, mas quando entra uma variável "líquido", a coisa muda... Tinha vezes que patinávamos tanto que parecia até aqueles pedalinhos de represas (que pelo que vejo pedala, pedala e o negócio não anda pouco...). Então fomos obrigados a descer e empurrar, mas nem assim ia. Carpir nem passou pela nossa cabeça... Fazer o que?! Tivemos que voltar mas ainda com aquele desejo de conquistar aquela cidade prometida e pela linha, claro... Um detalhe quanto ao mato: esse problema, do mato expelir esse líquido ao ser massetado (coisa normal), é um grande problema até para os trens! Um dos trens que raramente passou aqui, teve que em muitas subidas, desengatar a locomotiva dos vagões, subir sozinha massetando o mato e jogando areia para depois voltar, engatar os vagões e puxar o trem... E foi feito isso em vários trechos ainda! Isso é para ver o quanto o mato complica uma composição, inacreditavelmente, aquele mato pequeno... Juntando milhares deles, faz um trem patinar! Incrível...

 

Com propósito de conquistar a cidade vizinha, após alguns dias, tentamos ir novamente: eu, meu irmão, minha amada namorada, que hoje é minha esposa, e mais alguns amigos, totalizando 6 pessoas. Essa foi a primeira viagem com 6 pessoas que fizemos para fora da cidade e para nossa alegria, conhecemos uma caixa de abelhas hospedado ilegalmente em um dormente (aquele "tronco" que fica embaixo da linha do trem). Tentamos passar correndo e conseguimos sem nenhuma ferroada... Bom eu pelo menos não levei, só se alguém levou e não quis falar para evitar uma zoada de leve...ehuehuehueuhehu! Continuamos seguindo viagem mas o mato ainda estava grande, tivemos que voltar e, por sorte sem ferroada também. Mas ainda não tínhamos conseguido chegar até a estação devido aquela mata amazônica na linha do trem...

 

Passou algum tempo e um pequeno trem. Aí, como a locomotiva robusta com seus 80.000 kg, os matos que estavam sobre os trilhos, foram cortados e esmagados... Viva!!! Em seguida em... INÚBIA PAULISTA!!! Fomos novamente e graças a grande ajuda da locomotiva, desta vez conseguimos chegar até a estação! Sem ferroada, sem precisar descer para empurrar, aliás nem abelha vimos mais... Essa foi nossa primeira aventura e cidade conquistada! Foi a primeira cidade que a invenção conquistou...

 

Adamantina

 

Outra de nossa viagem, mas agora sentido Panorama. A segunda cidade que fomos foi para Adamantina que também fica cerca de 8 km daqui. Nada de muito especial no caminho, o mato estava baixo pois a via tinha bastante pedra, bem mais do que tem indo para Inúbia Paulista. Ao chegarmos lá, muitas pessoas viram a doidera de andar na linha: umas achavam legal, outras olhavam, olhavam e nada dizia, outros não entendiam nada! Era pergunta, atrás de pergunta... Mas é gostoso responder perguntas quando você vê que a pessoa quer entender que "trem" era aquele. Eu quando pequeno, era muito curioso e ainda sou. Por isso que gosto de responder as perguntas das pessoas com o máximo de informação e exatidão possível pois é assim que queria que tivessem feito com minhas dúvidas.

 

Daqui até Adamantina são poucas subidas e descidas mas nem percebemos muito, afinal a "adrenalina" é tanta que nem o sol quente sentimos durante a viagem, mas a noite quando nos víamos no espelho... No caminho daqui para lá, há um pontilhão (viaduto) e logo depois desse pontilhão é uma descida, aí é bom: só no embalo... Mas tudo que desce, sobe! Já na volta na volta... Tem muita gente que fala: "a linha do trem não tem subida..." Tem sim. É quase imperceptível quando está vendo a linha ferroviária de lado, mas quando estamos em cima da linha, com um pouco de atenção, podemos perceber se é uma subida ou descida. Outra forma de sentir se é subida, é quando pedalamos: o esforço é muito maior mesmo que a subida é "leve". 

 

O mais legal de tudo é que andando na linha do trem, conhecemos muitos insetos, plantas, daquelas que pinicam mesmo, cachorros bravos e, para nossa sorte, presos, vacas correndo de medo, bosta de vaca (ou de cavalo, sei lá!) no trilho, lagarto na linha... uma fauna incrível! Só sei que as rodinhas da coitada da Bicilinha (Pat - 0200920 - 0), fica sempre "carimbada" de verde, marrom, etc.

 

Vira e mexe, vemos vários insetos viajando na invenção as nossas custas, ou melhor, as nossas pernas! Fazer o que, temendo a seu ferrão, que talvez pudessem possuir, muitos deles deixávamos lá tomando uma fresca.

 

Graças a Deus nunca vimos nenhuma cobra, aranha, escorpião, dragão (eita!) ou coisa mais exótica que tememos. Claro que aranhas nós sempre vemos ao lado da linha, mas não interceptando nosso caminho. É elas lá e nós aqui... Eu hein... dá até arrepio de ver aquelas aranhonas bundudas em suas teias, nós caímos fora logo! Daqui até Adamantina levamos muito tempo, mais de uma hora as vezes. Mas o tempo também depende de uma parte da tração chamada "perna", afinal é tudo no pedal. Não é como andar de bicicleta na boa não... Aqui se não tiver resistência e força, não aguenta não... E também, além da perna, tem os fatores sujeira na linha, barranco caído, excesso de mato, etc. O que mais nos atrasa é aquele monte de mato e terra no meio da linha do trem, pois quando estamos com uma velocidade boa, acontece de vir aquele monte de mato no meio da linha e reduzindo nossa tão sofrida e suada velocidade! Aí... haja resistência e força para exercer tração de novo para recuperar a velocidade! Um mato sozinho não faz nada... Agora, incrivelmente, quando se tem um monte a coisa muda: sentimos fortemente a segurada ocasionando a perda de velocidade. Que viagem! Outra aventura dessa, só viajando de novo, coisa de quase todo final de semana nos dias de hoje já que trem aqui, é que nem achar fogo em gelo...

 

 Osvaldo Cruz

 

Agora vamos avançar uma cidade a mais?! Então... Osvaldo Cruz!!! Cidade situada a 18 Km daqui na qual tínhamos vontade de ir a algum tempo, mas estávamos esperando a passagem de algum veículo ferroviário para baixar o mato (seja um trem, um auto de linha, um caminhão de linha... etc). Passou mais de um ano desde que a última locomotiva, que nos permitiu ir para Inúbia Paulista. Então ficamos com receio do mato não permitir a viagem. Para nossa felicidade, justamente alguns dias depois de pensarmos em ir para Osvaldo Cruz, passaram duas locomotivas sentido Panorama! Opa... seria a volta dos trens de carga?! Infelizmente não...  

 

Na volta, veio um trem com quase 30 vagões: uma locomotiva na frente modelo U 20 C e outra na cauda modelo LEW. Só vieram em duas para ajudar no freio, pois os vagões estava sem freio parado a anos... Esse foi o último trem que passou aqui que não era de serviço. Era um trem com uns vagões que foram trazidos para serem leiloados... Viva os governantes do Brasil!  Nunca tem trem, quando tem é para este fim! Devido a passagem desse trem, o trilho já estava quase ficando "brilhante" (esmerilhado aspecto de cromado) devido a passagem das locomotivas e vagões. Quem dera ficassem dali em diante cada vez mais brilhante, aspecto cromado, pois significaria que teria passagens frequentes de trens. Mas a realidade é trágica, só foi dessa vez. Após isso, houveram raras passagens de algumas locomotivas escoteiras, e até que parou tudo! Sim: TUDO! Depois de 5 anos, passou num prazo de 2 anos, 3 trens jogando veneno... mas hoje, faz mais de 1 ano que não passa nenhuma composição. Só inspeção... inspeção... inspeção... etc.

 

Bom, voltamos a viagem né... Logo depois da passagem desse trem, o mato tinha baixado. Então, Gilberto e eu resolvemos ir. Foram 2 horas e 30 minutos pedalando... De carro, vai em 20 minutos claro, mas o consumo de água é muito alto devido ao sol forte cada vez mais forte! Haja protetor solar e água, muita água! É incrível a sede que dá, eu fico imaginando tanto aqueles filtrinhos de água geladinha... hummmm... Oooo miragem! Saímos daqui eram 9:00 da manhã, chegamos lá umas 11:30. Comemos uns lanches que levamos, descansamos e voltamos. É um dos caminhos mais legais que tem. Digo isso devido a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP 294) ir junto a ferrovia e dos locais altos que a ferrovia passa. Tem várias retas, e de Inúbia Paulista, cidade intermediária entre Lucélia e Osvaldo Cruz, até Osvaldo Cruz é uma descida... oba! Já na volta...

 

Em um certo local a linha do trem passa perto da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a SP 294: só via gente olhando com espanto, e dizendo o que todos dizem: "Ué, duas bicicletas andando na linha do trem? Como eles conseguem se equilibrar?". Aí, vai nós explicar... Nó final só ouvimos um: "Ahhhhh bom, agora entendi...". Isso é o básico que todos dizem.

 

Tem ainda aqueles que querem dar uma volta, e claro, sempre permitimos, desde que não estamos atrasados ou com carga excessiva (água!). A maior similaridade da minha invenção com os trens de verdade é que nós também saímos e chegamos sempre atrasados do horário combinado! Raramente chegamos no horário previsto por nós... Tem muitos ainda que, ao falarmos: "Vamos dar uma volta? Senta aí na prancha de madeira e segura!" A pessoa nega, tem medo achando que vai descarrilar e, inacreditavelmente, até tombar! Enquanto não vêem alguém sentado andando, fica com medo e não anda...

 

Tem muitos e muitas, que em cinco minutos que paramos, já senta na prancha e diz: "Tio, dá uma volta comigo?" Tio pra cá, tio pra lá... E assim andamos com todos! Nem que for uns metros, devido ao cansaço extremo ajudado pelo sol.

 

Voltando a viagem, no caminho não há tantos insetos quanto daqui para Adamantina porque daqui de Lucélia para Osvaldo Cruz o mato estava um pouco menor e seco, devido ao caminho ter mais pedras dificulta o crescimento da "flora ferroviária". Há também um pequeno pontilhão que fica perto da rodovia, aí é que o povo fica intrigado mesmo ao ver bicicletas passando em cima de um pontilhão!!! É uma comédia para que vê e um prazer para nós por andar na linha...

 

Mais viagens pretendo fazer e para alguns lugares meio longe... Mas não muito, senão teremos que passar a noite na beira da linha.

Já fomos para Flórida Paulista: quase a mesma distância de Osvaldo Cruz, e há muito mais mato! Em breve colocarei aqui história da viagem!

 

Essas foram todas nossas aventuras! Até hoje...

 

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